Câmara aprova projeto que autoriza contratação de crédito para quitação de dívida de R$ 66 milhões em Taubaté
Matéria permite ao Executivo firmar operação de crédito com o Banco do Brasil; texto foi aprovado com votos da base governista
A Câmara Municipal de Taubaté aprovou, na sessão realizada nesta terça-feira, dia 9, o Projeto de Lei Ordinário nº 286 de 2025, que autoriza o Poder Executivo a contratar uma operação de crédito junto ao Banco do Brasil para o pagamento de uma dívida no valor de R$ 66 milhões do município.
De acordo com a proposta, a operação de crédito será destinada exclusivamente à quitação do débito municipal, dentro das condições previstas pela instituição financeira e pela legislação que regula o endividamento dos municípios.
Antes da calorosa votação, ocorreu discussão a respeito do assunto pelos vereadores Isaac do Carmo, Nicola Neto, Bobi, Douglas Carbone, Diego Fonseca, Zelinda Pastora e João Henrique Dentinho na tribuna.
A votação contou com o apoio da base do governo, que se posicionou favoravelmente à matéria. Os vereadores que votaram contra a medida foram Diego Fonseca, Vivi, Talita, Douglas Carbonne, Isaac do Carmo. No total foram 5 votos contra e 11 a favor.

Reprodução/ TV Câmara Taubaté
Após, os vereadores subiram à tribuna para fazer a justificativa de voto.
De acordo com a Prefeitura de Taubaté, a intenção é utilizar o montante para pagar parcelas a vencer do empréstimo de US$ 60 milhões realizado em 2017 junto ao CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina). Na ocasião o acordo foi firmado com o dólar a R$ 3,25, e sem trava cambial. Como cada parcela de US$ 5 milhões tem seu valor em reais definido utilizando o dólar do dia do pagamento (hoje, por exemplo, está em mais de R$ 5,40), atualmente não é possível saber quanto custará cada uma, que vencem entre junho de 2026 e dezembro de 2027.
Com isso, a administração pretende realizar uma reestruturação da dívida com o CAF, trocando valores em dólar e a serem pagos nos próximos dois anos para valores em real, com maior previsibilidade, melhores condições e com parcelas mais factíveis dentro do orçamento do município, a serem pagas em até 18 anos.
Mesmo aprovada pela Câmara, a contratação da operação de crédito ainda depende da adesão do município ao PEF (Plano de Promoção do Equilíbrio Fiscal), atualmente em análise pelo governo federal.
Além deste, outros dois projetos votados são relacionados ao parcelamento de dívidas com o IPMT (Instituto de Previdência do Município de Taubaté): um em relação às contraídas desde 2010 e 2024, que somam aproximadamente R$ 288 milhões; e outro em relação às dos últimos três meses, com total de R$ 23 milhões, e que prevê pagamento dentro dos próximos três anos.
Entenda sobre a contratação de empréstimo pela Prefeitura de Taubaté
O tema já vinha sendo tratado em sessões anteriores e foi acompanhado pelo portal T7 News, que noticiou discussões sobre a situação financeira do município, o estoque da dívida pública e a necessidade de autorização legislativa para a contratação de operações de crédito.
Em reportagens anteriores, o T7 News também abordou alertas feitos por vereadores durante debates sobre impactos orçamentários, limites fiscais e a origem do passivo financeiro que o município busca quitar com a operação.
Com a autorização legislativa aprovada nesta terça-feira, o Executivo municipal passa a estar legalmente habilitado a dar início aos trâmites administrativos para a contratação do crédito junto ao Banco do Brasil, conforme estabelecido no projeto.
O Projeto de Lei Ordinária nº 286/2025 é resultado de uma série de debates que vêm sendo acompanhados pelo portal T7 News desde o início do ano, em meio ao agravamento da situação financeira do município de Taubaté. Em reportagens anteriores, o portal mostrou que a Prefeitura apresentou um diagnóstico apontando que a dívida total do município, somando valores vencidos e a vencer, ultrapassa R$ 1 bilhão, incluindo compromissos com fornecedores, encargos previdenciários e operações de crédito contraídas em gestões anteriores.
Parte relevante desse cenário envolve a dívida do município com o CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina, originada a partir de um empréstimo firmado em 2017, no valor de US$ 60 milhões, destinado a obras de infraestrutura urbana. O pagamento das parcelas teve início em 2022, mas o município passou a enfrentar dificuldades para cumprir o cronograma, acumulando atrasos. Em dezembro, a Prefeitura admitiu oficialmente que não dispunha de recursos para quitar uma das parcelas vencidas, o que gerou risco de bloqueio de contas e retenção de repasses.
Diante desse cenário, o Poder Executivo encaminhou à Câmara Municipal o Projeto de Lei nº 286/2025 solicitando autorização para contratar uma operação de crédito junto ao Banco do Brasil. O tema passou a ser debatido em comissões permanentes e em sessões legislativas, conforme noticiado pelo T7 News, com questionamentos de vereadores sobre impacto orçamentário, prazos de pagamento, taxas envolvidas e compatibilidade da proposta com os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Durante a tramitação, a Procuradoria Legislativa da Câmara emitiu parecer apontando possíveis inconstitucionalidades no projeto original, citando ausência de detalhamento sobre impacto financeiro e divergências nos valores apresentados. A Prefeitura respondeu às críticas afirmando que o texto seguia a minuta exigida pela União para operações de crédito com garantia federal e que as condições financeiras definitivas só são conhecidas no momento da contratação.
Ainda segundo reportagens anteriores do T7 News, a proposta de contratação de crédito foi apresentada pelo Executivo como alternativa para evitar o agravamento da inadimplência, permitir o pagamento de dívidas em moeda nacional e reduzir riscos financeiros decorrentes da variação cambial, no caso do débito com o CAF.
Após esse histórico de discussões e questionamentos, o Projeto de Lei nº 286/2025 foi levado à votação em plenário e acabou aprovado nesta terça-feira, dia 9, com sete votos favoráveis da base governista, autorizando o Executivo a contratar a operação de crédito para pagamento da dívida de R$ 66 milhões do município.