Após arquivamento de plano de 2024, vereadores indicam novo projeto de enfrentamento à violência contra a mulher e a família em Taubaté
Proposta encaminhada ao prefeito Sérgio Victor prevê mudanças em relação ao plano enviado pelo Executivo em 2024, que acabou arquivado pela Câmara após parecer contrário da Comissão de Justiça
Vereadores de Taubaté apresentaram uma indicação ao prefeito Sérgio Victor propondo a criação de um novo Plano Municipal de Enfrentamento à Violência contra a Mulher e a Família. O documento foi protocolado no plenário “Jaurés Guisard”, em 10 de fevereiro de 2026.
A proposta é assinada pelos vereadores Zelinda Pastora, Alberto Barreto, Rodson Lima Bobi, Nicola Neto, João Henrique Dentinho, Vivi da Rádio, Jessé Silva, Boanerge, Ariel Katz e Neneca Luiz Henrique.
A indicação sugere que o Executivo elabore um novo projeto de lei com diretrizes para políticas públicas voltadas à prevenção e ao enfrentamento da violência contra mulheres no município, incluindo também ações direcionadas à família e à rede de atendimento às vítimas.
O tema já havia sido discutido anteriormente em comissões da Câmara. Em dezembro de 2024, o então prefeito José Saud enviou ao Legislativo um projeto que instituía o Plano Municipal de Enfrentamento à Violência contra a Mulher. A proposta foi arquivada após receber parecer contrário da Comissão de Justiça e Redação.
Pela comissão, os vereadores Alberto Barreto e João Henrique Dentinho votaram contra o projeto. A vereadora Vivi da Rádio votou favorável. No parecer, os parlamentares afirmaram que grande parte das ações previstas no plano já decorriam de normas federais e municipais em vigor. A manifestação contrária foi publicada dia 12 de fevereiro, dois dias depois apresentação do novo plano. E depois de meses aguardando parecer do vereador Alberto Barreto.
O documento também apontou que trechos do plano apresentavam classificações consideradas de caráter ideológico. Um dos pontos citados foi a ação estratégica denominada “Conscientização Primária”, que propunha reflexões sobre padrões culturais patriarcais. Segundo o parecer, a abordagem seria “marcadamente ideológica” e dissociada do enfrentamento objetivo da violência.
Outro trecho mencionado classificava ambientes religiosos como espaços predominantemente masculinos, equiparando-os a fábricas, sindicatos e clubes esportivos. No parecer, os vereadores afirmaram que a caracterização seria inadequada e discriminatória por desconsiderar a diversidade de participação nas instituições religiosas.
Na votação da comissão, a vereadora Vivi da Rádio foi favorável ao projeto. Ela argumentou que a Procuradoria Legislativa da Câmara havia emitido parecer apontando que a proposta não apresentava inconstitucionalidade.
O parecer jurídico foi assinado pelo procurador legislativo Heitor Camargo Barbosa, com concordância do procurador-chefe Guilherme Ricken, que apontaram competência do município para legislar sobre o tema.
Diferenças entre as propostas
A nova indicação apresentada em 2026 prevê mudanças em relação ao plano encaminhado pelo Executivo em 2024.
Entre as diferenças está a ampliação do escopo do plano, que passa a incluir no título e nas diretrizes o enfrentamento da violência contra a mulher e a família.
O texto sugerido também prevê a criação de um Plano de Atendimento Imediato às Vítimas de Violência, com serviços como atendimento médico de urgência, apoio psicológico, assistência social e orientação jurídica.
Outro ponto incluído é a oferta de modalidades esportivas relacionadas a métodos de defesa pessoal nos programas da Secretaria de Esportes, além da possibilidade de atendimento de capelania para vítimas que desejarem orientação religiosa.
A proposta ainda menciona a responsabilização criminal de agressores e faz referência à responsabilização em casos de denúncias falsas e denunciação caluniosa.
O texto também sugere a criação de uma Coordenadoria Municipal da Família, que ficaria responsável pela execução das diretrizes do plano dentro da estrutura administrativa da prefeitura.
Audiências públicas
Mesmo com o arquivamento do projeto de 2024, a Câmara deve realizar audiências públicas para discutir políticas de enfrentamento à violência contra a mulher no município.
Uma das audiências foi solicitada por vereadores da base aliada e está marcada para 23 de março. Outra foi pedida por parlamentares da oposição e ainda não tem data definida.