Vereador Bilili acusa servidora de cobrar “beiradinha” durante programa de rádio
Procurado pela reportagem, Bilili afirmou que sua fala foi mal interpretada e que o termo “beiradinha” se referia a cargos comissionados ocupados por indicação política
Durante o programa Jornal da Rede, apresentado por Pedro Luiz na rádio 99FM na sexta-feira, 18 de julho, o vereador Bilili de Angelis (PSD) enviou um áudio com acusações contra a servidora Gisele, da Secretaria de Planejamento de Taubaté. A mensagem foi transmitida ao vivo, durante entrevista com Ana Paula Zarbietti, chefe de divisão na Secretaria de Governo e Relações Institucionais da Prefeitura.
Na gravação, Bilili afirma que empresários estariam sendo prejudicados por supostas cobranças irregulares feitas por Gisele:
"Você tem uma Gisele no Planejamento destruindo os empresários da cidade. Eu, como empresário, já falei que não invisto mais em Taubaté. Ela virou a famosa Gisele da beiradinha: tudo 'nego' vai tirar um habite-se tem que dar cem mil, tem que dar um semáforo."
A fala gerou reação imediata de Ana Paula, que respondeu durante a entrevista:
"Temos que diferenciar o que é beiradinha e o que é outorga onerosa. A outorga onerosa é lei."
Em seguida, questionou: "O que seria beiradinha?"
Após repercussão, vereador nega falar em dinheiro
Procurado pela reportagem, Bilili afirmou que sua fala foi mal interpretada e que o termo “beiradinha” se referia a cargos comissionados ocupados por indicação política, e não a pagamento em dinheiro.
"Você tem que entender que eu não falei que ela recebe. Você tá enganado. Eu falei que todo mundo tem beiradinha, até eu tinha. É cargo."
Segundo a apuração, a exoneração do servidor Alexandre Magno Borges, ocorrida também na sexta-feira, 18, seria consequência das denúncias que ele vem fazendo. Alexandre ocupava o cargo de Gestor de Projetos na Secretaria de Obras.
"Mandaram embora o Alexandre Magno por causa de mim", afirmou.
Convocação à Câmara e resposta à reportagem
O parlamentar disse que vai convocar a servidora Gisele para prestar esclarecimentos na Câmara Municipal, alegando que há denúncias de cobranças que, segundo ele, "não estão previstas em lei".
Ao ser confrontado novamente sobre o áudio que menciona valores, Bilili disse:
"Se você quer defender ela, fique à vontade. Eu tenho nome e endereço, me convoque que eu explico. Vou no Alexandre da Metropolitana e me explico."
E completou: "Se tiver que provar alguma coisa, eu provo na Justiça."
Prefeitura se manifesta e servidora não é localizada
A Prefeitura de Taubaté se manifestou por meio de nota oficial:
"Sabemos do ocorrido e estamos apurando os fatos."
A reportagem tentou contato com a servidora citada, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.