Taubaté deixa o Mundial de Paratletismo da Índia com 2 medalhas
André Rocha e Alessandro Silva, o Gigante, mostram a força do esporte na cidade
O brasileiro Alessandro Silva, o Gigante, conquistou a medalha de prata no lançamento de disco da classe F11 do Mundial de Atletismo Paralímpico. Ele registrou 40m14 na final realizada nesta sexta-feira (3), no Jawaharlal Nehru Stadium, em Nova Déli, Índia. Com ela, a delegação chega a 18 pratas e 37 medalhas no quadro geral da competição.
É o quarto pódio de Alessandro Silva em Mundial de Atletismo Paralímpico nesta prova. Foi tricampeão – Londres 2017, Dubai 2019 e Paris 2023. Em Kobe 2024, ele não competiu. O brasileiro de 41 anos é o atual recordista mundial (46m24) e do campeonato (46m10) no lançamento de disco F11 e tem, ainda, mais duas medalhas mundiais no arremesso de peso da mesma classe. Foi prata em Paris e bronze em Dubai.
Alessandro só foi superado por Hassan Bajoulvand. O iraniano alcançou a melhor marca pessoa da temporada, 41m70, para ficar com o ouro. O bronze terminou com o espanhol Alvaro Del Amo Cano, 39m28, também a melhor marca pessoa da temporada.
MEDALHAS PARA TAUBATÉ
Com a prata de Alessandro Silva, Taubaté ganhou duas medalhas no Mundial de Atletismo Paralímpico, na Índica.

O paratleta André Rocha conquistou a medalha de prata no lançamento de disco da classe F52. Com a marca de 19,29m, ficou a apenas três centímetros do campeão.
Com essa conquista, André soma quatro medalhas em quatro mundiais, consolidando sua trajetória de dedicação e inspiração no esporte.
BRASIL CAMPEÃO
O Brasil se sagrou, pela primeira vez na história, o campeão de uma edição de Mundial de atletismo ao terminar na primeira colocação do quadro geral de medalhas na competição realizada em Nova Déli, na Índia, e que se encerrou neste domingo, 5.
Os brasileiros subiram ao pódio todos os dias da competição em Nova Déli e lideraram o quadro geral de medalhas desde o primeiro dia de provas – único período do Mundial em que a primeira colocação foi dividida com a China. Só neste domingo, foram seis pódios, sendo três ouros, uma prata e dois bronzes.
Assim, o Brasil termina a competição com 15 ouros, 20 pratas e nove bronzes, com um total de 44 medalhas. Os chineses ficaram na segunda colocação, com 13 ouros, 22 pratas e 17 bronzes, sendo 52 no total.
Esta é somente a segunda vez na história em que a China perde no quadro de medalhas na competição – a primeira havia sido há 12 anos, em Lyon 2013, quando o país vencedor foi a Rússia — na ocasião, os chineses terminaram na sexta colocação. Na Índia, o Irã encerrou como o terceiro colocado, com nove ouros e 16 medalhas ao todo.
ÚLTIMO DIA E 3 MEDALHAS PARA O BRASIL

O último dia foi emocionante para os atletas do Brasil, que conseguiram novas marcas histórias, recordes e até uma medalha de ouro após o término da prova, sendo obtida no júri de arbitragem.
A acreana Jerusa Geber conquistou a sua segunda medalha de ouro na Índia ao vencer a prova dos 200m T11 (deficiência visual), com o tempo de 24s88, o seu melhor na temporada. Foi também o segundo ouro da velocista na disputa, após o primeiro lugar em Paris 2023.
De quebra, Jerusa se tornou a atleta brasileira, entre homens e mulheres, com maior quantidade de medalhas na história dos Mundiais. Ela atingiu a marca de 13 pódios na competição, sendo sete ouros, cinco pratas e um bronze, superando o recorde que era da mineira Terezinha Guilhermina, com 12 medalhas no total.
Outra brasileira envolvida na final, a potiguar Thalita Simplício obteve a medalha de bronze, com 25s97. Foi a décima medalha da atleta, que também foi tetracampeã nos 400m T11. Também foi a quarta dobradinha brasileira em pódios em Nova Déli. A medalhista de prata dos 200m foi a chinesa Liu Yiming, com 25s54.
“Estou muito feliz. Dois objetivos concluídos com sucesso: o tetra nos 100m e sair daqui como a atleta com maior número de medalhas em mundiais. Cheguei e estou saindo sem dor, sem lesão. […] É claro que eu quero [ir para Los Angeles 2028]. Eu quero o penta, o hexa [nos mundiais], quero tudo. Até onde aguentar, eu quero ir”, analisou Jerusa, após a vitória.
Ouro depois da prova
A potiguar Clara Daniele viveu uma situação inusitada logo na sua estreia em Mundiais ao ficar com a medalha de ouro na final dos 200m T12 (deficiência visual) após o término da prova. Durante a disputa, ela havia cruzado a linha de chegada na segunda colocação, com o tempo de 24s42, sua melhor marca na temporada. A vencedora havia sido a venezuelana Alejandra Paola Lopez, que fez 24s20.
No entanto, após a prova, a arbitragem analisou a corrida e observou que o atleta-guia da venezuelana puxou a competidora antes de cruzar a linha de chegada, o que não é permitido pela regra da competição. Assim, a vencedora foi desclassificada.
A Venezuela entrou com apelação, mas ela não foi aceita pelo júri de arbitragem do Mundial. Com isso, a velocista brasileira herdou a medalha de ouro, tornando-se campeã mundial logo na sua estreia em Mundiais. A prata ficou com a indiana Simran e o bronze, com a chinesa Shen Yaqin.