Relatos de importunação e assédio reforçam debate sobre segurança de mulheres no centro de Taubaté
Conteúdo especial com entrevistas e repercussão nas redes sociais reúne relatos de vítimas e amplia discussão sobre violência contra a mulher
A circulação de relatos de importunação e assédio no centro de Taubaté tem intensificado o debate sobre a segurança de mulheres na região. Casos recentes, somados a depoimentos publicados nas redes sociais e a um conteúdo especial em vídeo produzido pela jornalista Caroline Rossasi, apontam para situações recorrentes enfrentadas por mulheres no dia a dia.
No vídeo (veja o vídeo), mulheres relatam experiências de abordagens, perseguições e falas de cunho sexual em espaços públicos. A repercussão da publicação também trouxe novos relatos nos comentários, indicando que os episódios não são isolados.
Um dos depoimentos é de Lalesca Pereira, que descreveu uma situação ocorrida em janeiro. Segundo ela, um homem a abordou e a importunou enquanto seguia para o trabalho, pela manhã, nas proximidades da linha do trem. Ela relatou que conseguiu fugir e buscar ajuda, mas afirmou que o suspeito continuou frequentando a região. O caso foi registrado por meio de boletim de ocorrência.
Nas entrevistas do especial, mulheres que trabalham no centro também relataram situações semelhantes. Graziele Charleaux de Souza, de 20 anos, afirmou que já foi alvo de abordagens com teor sexual enquanto trabalhava na rua. Segundo ela, episódios de homens fazendo comentários ou tentando contato físico são frequentes. “Dá um desconforto total. Dá vontade de sair dali”, relatou.
Outra entrevistada, Nycole Tertuliano, também descreveu dificuldades na região central, especialmente na praça Dom Epaminondas. Ela relatou abordagens de pessoas alcoolizadas e afirmou que mulheres acabam sendo mais expostas. Segundo Nicole, a ausência constante de agentes de segurança em determinados pontos contribui para a sensação de insegurança.
Os relatos se somam a outros casos recentes. Um vídeo publicado por Gabriele Lima, um dia depois do dia das Mulheres mostrou situações em que ela afirma ter sido seguida por homens em diferentes momentos no centro da cidade. Um dos episódios ocorreu dentro de uma loja, onde, segundo o relato, um homem a acompanhou pelos corredores até a intervenção de funcionários e do segurança. O caso foi registrado na Polícia Civil.
Outro registro envolve uma jovem de 21 anos que denunciou um homem por importunação sexual na praça Dom Epaminondas, no dia 8 de março. De acordo com o boletim de ocorrência, o suspeito teria praticado atos obscenos enquanto observava a vítima.
Em nota, a Prefeitura de Taubaté informou que não tolera qualquer tipo de violência contra mulheres e destacou o uso de câmeras de monitoramento e ações de patrulhamento da Guarda Civil Municipal. A administração municipal afirmou que realiza rondas por meio da Operação Praça Segura e que imagens são compartilhadas com a Polícia Civil quando necessário.
A Polícia Militar informou que o policiamento preventivo na região central é realizado de forma contínua, com mais de 70 policiais atuando em diferentes modalidades. A corporação afirmou ainda que, até o momento, não há registro formal de ocorrência relacionado a um dos vídeos que circulam nas redes sociais e que, nos últimos três anos, não foram registrados casos de importunação, perseguição ou assédio em via pública na área central.
O tema também tem sido discutido no Legislativo municipal. Um projeto de lei, construído por agentes políticos, especialistas em segurança publica, população e entidades, que previa a criação de um plano de enfrentamento à violência contra a mulher foi arquivado, e há previsão de novas discussões e audiências públicas sobre o assunto. Vereadores da base do prefeito enviaram uma indicação de lei para o prefeito de um novo Plano de Enfrentamento a Violência Contra a Mulher.
Enquanto isso, relatos como os reunidos no conteúdo especial e nas redes sociais continuam indicando a percepção de insegurança entre mulheres que circulam e trabalham na região central da cidade.