Prefeito de São José diz que moradores estavam pacíficos durante protesto dispersado com spray de pimenta
Moradores da Vila Unidos reclamam de falta de diálogo sobre retirada de parquinho; vereador Roberto Chagas anuncia saída da base governista
O prefeito de São José dos Campos, Anderson Farias (PSD), afirmou nesta terça-feira, 23, que está sendo investigado o uso de spray de pimenta pela Guarda Civil Municipal (GCM) para dispersar moradores da Vila Unidos, na zona norte, durante um protesto realizado na manhã da segunda-feira, 22.
O ato foi motivado pela retirada de um parquinho e de uma academia ao ar livre em área onde a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) está construindo 28 apartamentos para famílias inscritas no programa habitacional do Estado.
Durante a manifestação, homens e mulheres foram atingidos por spray de pimenta disparado pela GCM, o que gerou tensão entre moradores e agentes. Não houve registro de feridos ou detidos. Os moradores afirmam que a retirada dos equipamentos de lazer ocorreu sem consulta prévia e que perderam um espaço de convivência importante para crianças e idosos.
Anderson Farias reconheceu que os manifestantes estavam de forma pacífica e disse que o episódio “não vai se repetir”. Segundo ele, as imagens estão sendo analisadas para verificar a conduta da GCM. O prefeito afirmou ainda que pretende se reunir com os moradores e que “o que está errado precisa ser corrigido”.
A Prefeitura informou que os equipamentos de lazer serão reinstalados em outro terreno, na mesma rua, considerado mais adequado por ser plano e com infraestrutura. Também declarou que seis árvores exóticas foram retiradas com autorização. Em nota, a administração classificou o spray de pimenta como “arma não letal” utilizada diante da necessidade de dispersão.
A repercussão política veio com o vereador Roberto Chagas (PL), que acompanhava o protesto. Em uma transmissão ao vivo, ele anunciou sua saída da base governista e afirmou que a população da zona norte foi desrespeitada. Mais tarde, levou ao Paço Municipal um abaixo-assinado pedindo a paralisação das obras. Segundo o parlamentar, a decisão de romper com o governo é definitiva.
Chagas está em seu segundo mandato e tem a zona norte como principal base eleitoral.