Entre votos, bastidores e pressão política: eleição da UNITAU entra em fase decisiva e amplia tensão em Taubaté
Consulta prévia terminou no sábado, mas definição da nova Reitoria ainda depende de articulação política, formação de lista tríplice e aprovação da Câmara Municipal
Mesmo após o resultado da comunidade acadêmica, escolha final da Reitoria poderá passar por negociações políticas e dependerá de maioria absoluta dos vereadores de Taubaté.
A disputa pela Reitoria da Universidade de Taubaté (UNITAU) para o quadriênio 2026-2030 entrou nesta semana em uma de suas etapas mais sensíveis. Encerrada no sábado, 9 de maio, a consulta prévia à comunidade universitária abriu caminho para uma fase marcada por conferências internas, possibilidade de recursos, formação de lista tríplice e articulações políticas que podem alterar os rumos da sucessão dentro da maior autarquia municipal de ensino superior da região.
A divulgação oficial do resultado está prevista para esta terça-feira, 12 de maio. Até lá, a comissão eleitoral realiza a verificação de mapas de votação, listas de eleitores e materiais enviados pelos campi da universidade.
Embora a votação da comunidade acadêmica represente a etapa mais visível do processo, o documento mostra que o caminho até a posse da futura gestão está longe de terminar. Isso porque a estrutura jurídica da UNITAU coloca a disputa também dentro do ambiente político da cidade.
A universidade utiliza um sistema de voto ponderado, no qual os professores concentram 70% do peso da votação final. Os servidores técnico-administrativos representam 20%, enquanto os alunos possuem 10% do cálculo total. Na prática, o modelo faz com que o apoio do corpo docente seja determinante para o resultado da consulta.
Nos bastidores universitários, a composição desse peso eleitoral transformou departamentos, diretorias e grupos históricos da instituição em peças estratégicas da campanha. As chapas concentraram esforços em articulações internas e aproximações com setores considerados decisivos para a formação da maioria acadêmica.
A disputa reúne três grupos com perfis distintos.
A Chapa 1, “Somos Mais UNITAU”, é liderada pela professora Letícia Maria Pinto da Costa, ligada à Comunicação e à área de Extensão universitária, ao lado do médico Alexandre Paiva, nome vinculado ao Hospital Municipal Universitário de Taubaté (HMUT). O grupo aposta em modernização digital, inteligência artificial aplicada à gestão e revisão dos projetos pedagógicos até 2028.
A Chapa 2, “UNITAU Plural”, reúne Ana Paula Lima Guidi Damasceno e Amanda Romão de Paiva. O plano prioriza interdisciplinaridade, desburocratização acadêmica, saúde mental e ampliação de espaços de convivência dentro da universidade. Amanda possui trajetória ligada ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e projetos de extensão universitária.
Já a Chapa 3, “UNITAU em Diálogo”, é formada pelo ex-vice-reitor Marcos Roberto Furlan e por Ivair Alves dos Santos, atual presidente da Fundação Universitária de Taubaté (FUST). A proposta enfatiza estabilidade administrativa, fortalecimento da pós-graduação e ampliação da captação de recursos externos para a universidade.
Mas o ponto mais delicado do processo aparece após a votação interna.
Por ser uma autarquia municipal, a UNITAU depende de um rito político previsto na Lei Orgânica do Município. Depois da consulta prévia e da elaboração da lista tríplice pelos conselhos universitários, A tramitação também prevê uma sabatina institucional na Câmara Municipal de Taubaté. No entanto, conforme esclarecimento apresentado sobre a interpretação da Lei Orgânica do Município, a escolha da Reitoria é prerrogativa do Poder Executivo municipal, cabendo ao prefeito a decisão final sobre a nomeação a partir da lista tríplice formada pela universidade.
A possibilidade de interferência política após a manifestação da comunidade acadêmica ampliou a tensão em torno da sucessão. O próprio documento menciona o risco de o resultado da consulta não se converter automaticamente na escolha final da gestão universitária.
Outro cenário citado é o de vacância administrativa. Se o mandato da atual Reitoria terminar antes da conclusão de todas as etapas políticas e institucionais, a universidade poderá ser conduzida interinamente por pró-reitores ou docentes mais antigos da instituição.
A preocupação em torno da estabilidade administrativa envolve diretamente áreas consideradas estratégicas para Taubaté, principalmente o HMUT, utilizado como campo de prática para cursos da área da saúde e responsável por parte do atendimento público municipal. O documento aponta que eventuais crises institucionais podem gerar reflexos na operação acadêmica, administrativa e assistencial da universidade.
Além da área da saúde, a UNITAU mantém impacto direto sobre o setor imobiliário, comércio, serviços e projetos de inovação tecnológica da região, movimentando milhares de estudantes e profissionais em Taubaté e no Vale do Paraíba.
O calendário previsto indica divulgação do resultado da consulta nesta terça-feira, reunião dos conselhos universitários no dia 15 de maio, envio da lista ao Executivo em 27 de maio, sabatina na Câmara durante o mês de junho e posse da nova gestão em 3 de julho.