Discussão em audiência sobre empréstimo de R$ 170 milhões em Ubatuba termina com vereador dizendo “cala a boca” a moradora
Munícipe pede emenda para fiscalização, vereadora aponta alternativas sem financiamento e população poderá votar em enquete online
A audiência pública realizada na noite de quinta-feira, 25, no Teatro Municipal Pedro Paulo Teixeira Pinto, em Ubatuba, para discutir a contratação de empréstimo de até R$ 170 milhões pela Prefeitura, foi marcada por protestos, pedidos da população e embates entre vereadores e munícipes.
O encontro discutiu o projeto de lei que prevê operação de crédito junto à Caixa Econômica Federal, por meio do programa FINISA, para obras de infraestrutura e construção de novas unidades de saúde, incluindo um hospital municipal. Do valor total, R$ 120 milhões seriam destinados à saúde e R$ 50 milhões a outras obras.
Logo na entrada, houve tumulto. Parte da população não conseguiu entrar no auditório, que tem capacidade máxima de 440 lugares, e protestou no saguão alegando que muitos assentos foram ocupados por servidores municipais. Do lado de fora, manifestantes gritavam “a população tem direito de entrar”, enquanto a prefeita Flávia Pascoal fazia sua fala de abertura.
Durante as intervenções, uma munícipe solicitou que os vereadores incluíssem emenda para ampliar a fiscalização das obras do hospital. A vereadora Jaqueline Dutra apresentou uma planilha com valores e impactos no orçamento municipal, defendendo que seria possível construir o hospital sem a necessidade do empréstimo.
Em meio às discussões, o vereador Rogério Frediani, da base da prefeita, discutiu com uma moradora que questionava a falta de obras no bairro Marafunda e mandou que ela sentasse e calasse a boca "senta ai e fica quieta, já latiu muito. Cale a boca". O episódio gerou reação imediata entre os presentes.
Ao encerrar a audiência, o presidente da Câmara, Gady Gonzales, destacou que abrirá uma enquete no site oficial da Prefeitura para que a população opine sobre a construção do hospital. O questionário ficará disponível por dez dias.
A audiência faz parte de um ciclo de quatro encontros previstos para setembro e transmitidos ao vivo pelo canal da Câmara de Ubatuba no YouTube.