Criança com paralisia cerebral encontra no BMX uma paixão transformadora
Calebe Leonel, de seis anos, treina bicicross com o pai e inspira ao lado da jovem promessa Manu Ramos
Para Calebe Leonel, de apenas seis anos, os sábados são os dias mais esperados da semana. É quando ele veste o capacete, sobe na bicicleta e treina bicicross ao lado do pai, em Jacareí (SP). Calebe tem paralisia cerebral, diagnosticada no primeiro ano de vida, e encontrou no BMX Racing mais do que um esporte: descobriu liberdade, autoestima e pertencimento.
A trajetória de Calebe ganhou ainda mais significado quando ele conheceu Manu Ramos, de dez anos, considerada uma das grandes promessas do BMX nacional. A amizade começou de forma espontânea, durante um treino, e logo os dois passaram a dividir a pista e incentivar um ao outro.
Desde então, Calebe vem participando de eventos da modalidade e já foi convidado a integrar momentos simbólicos em competições, como a abertura do Campeonato Paulista de Jarinu.
“A amizade deles é muito importante para que o Calebe saiba que ele pode ser quem ele quiser, fazer o que quiser e que nada pode limitá-lo. Para a Manu, é uma inspiração também, saber que é exemplo para outras crianças” destaca Nathalie Ramos, mãe de Manu, em entrevista.
Com apenas dez anos, Manu já é bicampeã brasileira de BMX Racing, foi sétima colocada no Mundial da França em 2022 e é a atual campeã do ranking Latino-Americano. Neste fim de semana, ela disputa o Campeonato Panamericano 2025, no Chile.
A paixão pelo BMX

Ao visitar uma pista de bicicross, Caleb se encantou pelo ambiente e não quis mais sair de lá. Foi o início de uma nova etapa em sua vida.
“Pela primeira vez, eu vi meu filho andando de bicicleta e sendo acolhido com carinho. Não era uma competição, ele só deu uma voltinha, mas foi um momento único para nós” conta Edna Regina, mãe de Calebe.
Além da diversão, o BMX tem sido fundamental no desenvolvimento de Calebe. Segundo os pais, ele passou a se comunicar com mais facilidade, demonstrar mais emoções e ganhar autonomia. Com treinos semanais e apoio de fisioterapias, ele sonha em evoluir ainda mais no esporte.
“Eu gosto quando ele bate palma, dá risada na pista e fala “abre o gate”. Isso significa que quer subir e descer de novo. Às vezes, ele me pede para ir mais rápido. Só de ver isso, já vale tudo” comentou Manu em entrevista.
A história de Calebe e Manu é uma prova do poder transformador do esporte, não só para a performance, mas também para a inclusão, o afeto e a superação. No ritmo das pedaladas, eles seguem juntos, mostrando que o BMX pode ser para todos.