Arcebispo de Aparecida pede leis favoráveis aos pobres e afirma: “Quando diminui a pobreza, nós vamos experimentando o que é paz”
Dom Orlando Brandes pregou na missa do Dia da Padroeira que diferenças políticas e sociais não devem dividir a população
Durante a missa solene de 12 de outubro, Dia de Nossa Senhora Aparecida, no Santuário Nacional, o arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, pediu que “os eleitos pelo povo votem em leis favoráveis aos pobres”. A celebração, acompanhada presencialmente por cerca de 35 mil fiéis, contou com a presença do presidente em exercício Geraldo Alckmin (PSB), do secretário de Governo e Relações Institucionais de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), e do prefeito de Aparecida, Zé Louquinho (PL).
No sermão, Brandes afirmou que espera da padroeira a diminuição da pobreza e das desigualdades sociais. “Quando diminui a pobreza, nós vamos experimentando o que é a paz, a convivência e o que é vida. Segunda esperança: que diminuam as desigualdades sociais, que são muitas”, disse.

Foto Thiago Leon / A12
“Vamos pedir duas grandes esperanças para o povo brasileiro: primeiro pedir a diminuição da pobreza, Ester pediu vida para o povo e quando diminui a pobreza nós vamos experimentando o que é paz, o que é a convivência e o que é a vida. A segunda esperança: que diminua as desigualdades sociais, e que são muitas, mas é possível diminuí-las.”
O religioso criticou a indiferença e o preconceito contra os mais pobres. “Para muitos os pobres são invisíveis, não se vê, não se tem sensibilidade. Para outros são criticados, chamados de vagabundos. Que a Mãe Aparecida nos ajude para que os que foram eleitos pelo povo votem em leis favoráveis ao povo de Deus, favoráveis aos pobres”, completou.
Em entrevista coletiva após a missa, Dom Orlando falou sobre política e destacou que o ódio e a divisão prejudicam o país. “Viva a diferença. Quem é diferente não é nosso inimigo. Quem é diferente pode me ajudar a refletir melhor a minha posição”, afirmou. Para ele, o problema surge quando a ideologia política se torna cega e divisora: “O maior problema é a ideologia. Ela busca meu interesse, e quem não está a favor é meu inimigo. Mas o evangelho não é assim. Temos reconciliação, perdão e a graça de sermos povo de Deus na sua diferença.”

Nos últimos anos, Dom Orlando também chamou atenção por mensagens sobre armamento, fake news, desigualdade social e críticas ao desmatamento e queimadas na Amazônia.
Durante o período de 3 a 12 de outubro, estima-se que a cidade de Aparecida receba cerca de 450 mil pessoas. O estacionamento do Santuário Nacional, com capacidade para 3 mil carros e 2 mil ônibus, chegou a ter os portões fechados por cerca de uma hora, reabrindo às 10h50.