Trabalhadores da Bosch rejeitam proposta de PLR e aprovam aviso de greve em São José
Metalúrgicos consideram valores abaixo do esperado e podem paralisar produção caso não haja nova oferta
Funcionários da Bosch, antiga JC Hitachi, localizada na zona
leste de São José dos Campos, rejeitaram a proposta de Participação nos Lucros
e Resultados (PLR) apresentada pela empresa na terça-feira (20). Em assembleia,
os trabalhadores decidiram encaminhar aviso de greve, medida que antecede uma
possível paralisação da fábrica.
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, a proposta da Bosch
representava apenas 5,05% de reajuste em relação ao valor da PLR de 2025, que
foi de R$ 11 mil. Além disso, a empresa ofereceu aumento de 10% no
vale-alimentação, atualmente fixado em R$ 600, e apresentou um acordo de
Campanha Salarial com reajuste e abono abaixo das expectativas da categoria.
Na assembleia, os metalúrgicos foram firmes ao rejeitar os
valores. Caso não haja contraproposta em até 48 horas, a produção pode ser
interrompida. “Os trabalhadores da Bosch estão mobilizados. O espírito de luta
vem de anos, desde a Hitachi. Não é porque a empresa foi vendida que isso vai
mudar. Se a direção da fábrica não apresentar uma nova proposta, a produção vai
parar”, afirmou o presidente do Sindicato e funcionário da Bosch, Weller
Gonçalves.
De acordo com o Instituto Latino-americano de Estudos
Socioeconômicos (Ilaese), o Grupo Bosch tem expandido seus negócios
globalmente, com aquisições que impactaram diretamente o Brasil, incluindo a
compra da Johnson Controls Hitachi em agosto de 2025.
Em comunicado interno no fim do ano passado, a
vice-presidência da empresa destacou que 2025 foi marcado por recorde de
vendas. Na unidade de São José dos Campos, o ritmo de produção foi intenso,
exigindo muitas horas extras dos empregados.
Instalada há mais de 60 anos em São José, a antiga Hitachi,
agora sob gestão da Bosch, é responsável pela produção de aparelhos de
ar-condicionado e emprega cerca de 300 pessoas.