Presidente da FPF vai concorrer à presidência da CBF
Ex-presidente do Taubaté tem planos para melhorar e modernizar o futebol brasileiro
Reinaldo Carneiro Bastos, que já foi vice e presidente do Esporte Clube Taubaté, anunciou neste sábado (17) que vai concorrer à presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no próximo dia 25 de maio. Interventor da entidade nomeado pela Justiça, após o afastamento do então presidente Ednaldo Rodrigues, Fernando Sarney deu prazo até o dia 20 para a inscrição das chapas nas eleições.
"Reconstruir a credibilidade do futebol brasileiro exige ação e experiência. Precisamos de uma nova CBF: aberta, moderna ambiciosa e profissional. A entidade que gere a maior paixão nacional e que fatura mais de R$ 1 bilhão ao ano deve ser administrada com transparência", diz outro trecho da nota da Federação.
REINALDO E O EC TAUBATÉ

Reinaldo Rocha Carneiro Bastos, 61 anos, nasceu no Rio de Janeiro e se diz torcedor do Flamengo. Mas sua vida política tem muita relação com a cidade de Taubaté. O dirigente começou no esporte como diretor de futebol do Esporte Clube Taubaté, em 1980, e foi presidente do clube entre 1984 e 1988. Nesta época, já era membro da FPF como diretor administrativo; depois, virou membro e eventual presidente da Comissão de Arbitragem de São Paulo, cargo que ocupou por três mandatos. Depois, virou diretor financeiro, e em 1996, vice-presidente.
Bastos é visto na FPF como a "ponte" entre a cúpula da entidade e os clubes do interior.
Em 1996, Reinaldo Cardeiro Bastos foi eleito vice-presidente da entidade e, em 2015, assumiu pela primeira vez o posto de presidente, no qual está no terceiro mandato. Na liderança da FPF, já defendeu temas como a criação de uma liga independente, o apoio às SAFs e mudanças no calendário do futebol brasileiro.

Em abril deste ano, ele disse ao podcast Maquinistas que a formação da liga “vai acontecer”. Para ele, o que falta para esse projeto avançar é que os clubes “ouçam mais uns aos outros” e deixem rixas de lado. “Trocar ideia, fala de futebol, esse é o primeiro passo. Futebol só muda se clube quiser”, ressaltou o presidente da FPF.
CONCORRÊNCIA 
Para concorrer com o presidente da FPF, o nome de Samir Xaud (foto), eleito como presidente da Federação Roraimense de Futebol, ganhou força.
Na quinta (15), 19 presidentes de federações estaduais assinaram um manifesto defendendo a "renovação do futebol brasileiro". Foi iniciado um movimento para uma nova eleição na CBF, que foi convocada por Fernando Sarney.
CRISE DA CBF
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) recebeu uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar a possibilidade de a assinatura de Antônio Carlos Nunes de Lima, o coronel Nunes, no acordo que manteve Ednaldo Rodrigues no comando da CBF, homologado pela Suprema Corte em fevereiro, ter sido falsificada. O caso veio à tona na última após uma perícia ser anexada ao processo.
Dois pedidos de afastamento de Ednaldo Rodrigues foram protocolados junto à Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) que julga o processo eleitoral que levou o mandatário ao poder no STF. O ministro Gilmar Mendes, relator do caso no STF, negou os pedidos.
Outro ponto que põe em dúvida a autenticidade da assinatura é o fato de Nunes, de 86 anos, ter informado à Justiça sofrer de um tumor no cérebro e cardiopatia grave. Junto à perícia, foi anexado um laudo apresentado pelo Dr. Jorge Pagura, Chefe do Departamento Médico da CBF, em que o profissional indica que Nunes sofre de déficit cognitivo, especialmente após passar por uma intervenção cirúrgica considerada agressiva em 2023.
É citado, ainda, tanto nos pedidos de afastamento, quanto em requerimentos para a presença de Ednaldo Rodrigues no Congresso Nacional, a relação do ministro Gilmar Mendes e a CBF. O ministro, que recebeu o processo por sorteio. É discutido possível conflito de interesses, já que o magistrado é fundador do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), o qual tem parceria comercial milionária para as formações da CBF Academy.
A revista Piauí aponta relação entre a primeira destituição de Ednaldo, em 2023, e o desembargador do TJ-RJ Luiz Zveiter, pai de Flávio Zveiter, que fazia oposição a Ednaldo. O paralelo também é traçado entre o presidente afastado e Gilmar Mendes.
Foi uma reportagem da própria Piauí que revelou gastança e práticas autoritárias na gestão da CBF, o que colocou Gilmar Mendes como alvo de críticas públicas. O texto publicado na edição de abril da revista falou também em pagamentos suspeitos a advogados antes de decisões judiciais favoráveis à CBF. Segundo apuração do repórter Allan de Abreu, Gilmar Mendes ficou pressionado e precisou ceder após parlamentares ameaçarem a instalação de CPIs para investigar a confederação.
Em 6 de maio, a CBF se manifestou sobre o assunto por meio de nota oficial. A entidade defendeu a legitimidade do processo. Agora, ao mesmo tempo, em que recorre no STF para invalidar a decisão do Rio, a entidade convoca novas eleições, para o dia 25 de maio, por meio do interventor Fernando Sarney.
Em meio ao anúncio de Carlo Ancelotti como novo técnico da seleção brasileira, movimento considerado nos bastidores como uma vitória política de Ednaldo, o dirigente se tornou alvo de três denúncias na Comissão de Ética da CBF por razões distintas.
Entre elas estão denúncias de assédio dentro da entidade, gestão temerária e a própria suspeita de fraude no acordo homologado pela Justiça do Rio. Além disso, o presidente afastado perdeu apoio das federações, 52 dias após a reeleição.