MPF move ação civil visando segurança dos romeiros
Projeto propõe medidas emergenciais e plano a longo prazo
Com a aproximação do mês de outubro e seu dia 12, no qual é
celebrado o dia da Padroeira do Brasil, as romarias até a cidade Aparecida
começam a ter aumento no fluxo, com isso em vista, o Ministério Público Federal
(MPF) está movendo uma ação civil pública contra a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres),
a União e a concessionária Motiva (antiga CCR RioSP), buscando medidas
emergenciais que promovam a segurança dos romeiros que realizam o percurso pela
rodovia Presidente Dutra com destino ao santuário.
A ação propõe a instalação de passarelas provisórias e
outras vias modulares que sirvam de passagem para os integrantes da romaria,
sem que aumente o percurso a ser percorrido, como é o que vem acontecendo nos
últimos anos e o que tem gerado um alto índice de acidentes, já que muitas
dessas pessoas cortam caminho pelo acesso mais rápido, porém, mais perigoso.
Além disso, é solicitado no documento que seja apresentado em
até 15 dias um plano mais elaborado para no futuro evitar os acidentes envolvendo
os romeiros na estrada, e que em até 30 dias as medidas sejam executadas;
entretanto, a concessionária Motiva apresenta resistência ao projeto, e alega não
ser de sua competência oferecer alternativas emergências além das que já estão
disponíveis.
A procuradora da República Ana Carolina Haliuc Bragança,
autora da ação, reitera que as romarias são parte de um conjunto de práticas
religiosas e culturais apresentam uma conexão com a tradição popular.
“No cenário nacional, romarias como as que ocorrem em
direção ao Santuário Nacional de Aparecida assumem importância simbólica: elas
expressam a pluralidade cultural do Brasil, unem pessoas de diferentes origens
e classes sociais e reafirmam a liberdade religiosa, reconhecida como direito
fundamental. Proteger os romeiros em seu trajeto, portanto, não é apenas zelar
pela integridade física dos participantes, mas também garantir a continuidade
de um patrimônio cultural imaterial que traduz fé, solidariedade e identidade
coletiva”, salienta a procuradora.