Post

OS CANALHAS SE IRMANAM PELA ESSÊNCIA

A plebe reconhece a sua incapacidade de gerir algo, a não ser fornecer a sua mão de obra centrada na força física.

Paulo Ribeiro | Data: 17/02/2025 15:39

As elites, nas suas diversas formas, política, econômica, social, financeira ou jurídica, estão sempre alinhadas entre si em um sistema de autoproteção contra as classes menos favorecidas que possam ameaçar essa hegemonia.

E como regra, para manter esse FATALISMO, constroem arquétipos que passam a conduzir a própria história das classes menos abastadas que representam o principal bastião de suas existências, invertendo a lógica e induzindo a plebe a crer que a sua existência só é possível devido a essas elites que, em uma atitude de graça, lhes concedem o direito à vida.

A partir desse convencimento coletivo, a plebe reconhece a sua incapacidade de gerir algo, a não ser fornecer a sua mão de obra centrada na força física. Desta forma, até mesmo pela beleza física, as elites são escolhidas pelo povo na hora do voto, pois esse povo não se sente tão “belo” para conduzir seu próprio destino.

Tal endeusamento de modelo, porém, é contrariado pelos fatos. Acontecimentos recentes na história do país mostraram que os grandes escândalos que vieram à tona não foram protagonizados por esses cidadãos desvalidos. Se procurarmos pelos pobres, indígenas ou negros na Operação Lava Jato, Mensalão, Furto de Jóias e outros mais, veremos que tais ações foram todas protagonizadas por integrantes das elites política, econômica, social, financeira ou jurídica. E quando laçam um pobre desavisado é porque foi convencido por um “semideus” ascendente que, transformando-o em mula política, o impeliu a participar desses desvarios golpistas e criminosos.

As ações parasitárias das elites são direcionadas, como regra, contra a administração pública e seu patrimônio. Assim como os psicopatas procuram profissões que exercem poder e autoridade, nada fascina mais um canalha do que permeabilidade do tecido da administração pública permitindo-lhe locupletar-se na sua plenitude gananciosa.

Ao assumir o executivo de um município, a MORALIDADE deve ser o primeiro alvo a ser atingido. Esse deve ser o tal “choque de gestão” que romperá com as mazelas do passado. Nesse mister, Ouvidoria e Corregedoria exercerão papel fundamental na depuração interna do serviço público onde, inexoravelmente, será cortado na própria carne ignorando-se laços afetivos, sanguíneos ou políticos, pois a administração pública será regida apenas pelos seus 5 princípios e com esse quinteto fará a LIMPE-za do seu serviço.

Fatos recentes mostraram a necessidade desse ‘compliance’ municipal. Como primeiro exemplo, podemos citar o caso do fiscal de posturas que, valendo-se de seu cargo, exigia vantagens indevidas incorrendo no crime de concussão, artigo 316 do código penal. Nada há que se comemorar, pois a corrupção no serviço público é um câncer metastático que se espraia em várias direções ou setores e por essa razão é preciso apurar administrativamente também o envolvimento de outros funcionários nesse achaques.

Como segundo exemplo, trago o caso do profissional que, tendo a carga horária semanal a cumprir, se ausentava do trabalho para tratar de outros assuntos, fato minuciosamente apurado por um órgão de imprensa. Nesse caso, também nada há a comemorar, pois a denúncia foi constatada por um órgão de imprensa e não pelo órgão Ouvidor ou Corregedor do município. Certamente, o denunciante não sentiu confiança na administração pública na apuração dessa irregularidade. “Mestasticamente” falando, será um caso isolado? Independente de ter a agenda ou não, é imperativo ao concursado cumprir as regras do edital, sobretudo no quesito CARGA HORÁRIA.

E nesse RENDEZ-VOUZ de oportunistas, vejo com bons olhos a figura do Secretário de Governo a quem prezo de longa data e que terá uma extenuante missão nessa longa estrada como PALADINO da cidade de Taubaté em contraponto à administração da cidade que mais se assemelha ao Cavaleiro da Triste Figura, de Miguel de Cervantes.

Por derradeiro, fazendo referência ao título do artigo, friso que uma mesma natureza compõe os desprezíveis. Seja o corrupto, o que abandona o serviço, o que bate em mulher ou o assessor que desembarcará do governo e se lançará como candidato a prefeito em oposição ao prefeito que o acolheu. 

Estes quatro tipos humanos são do mesmo balaio, pois OS CANALHAS SE IRMANAM PELA ESSÊNCIA.

Nós usamos cookies
Eles são usados para aprimorar a sua experiência. Ao fechar este banner ou continuar na página, você concorda com o uso de cookies. Saber mais