Mestre Justino um legado que inspira
Artista plástico completaria 92 anos dia 15 de maio
Há um ano escrevia sobre Mestre Justino. A reportagem, uma das primeiras especiais, produzidas pelo portal T7 News contou um pouco da história do artista plástico e alertou, que o legado do artista precisa ser mantido.
Com o título “Mestre Justino: Mestre Justino: Um legado imensurável” a reportagem ouviu um grande fã e também sangue do sangue do mestre que fez a história da nossa região e de outras cidades fora do Vale do Paraíba com seus pinceis, seu filho, Paulo Cezane (Nome em referência ao artista italiano Paul Cézanne).
Artista plástico completaria 92 anos dia 15 de maio. E fica aqui meu questionamento: Quando iremos de fato homenagear a grandiosidade deste artista?
Segundo Cezane, em seu ateliê Mestre Justino recebia muitas pessoas, amigos e admiradores de sua arte, e era comum que Justino vendesse suas obras a esses visitantes, por isso, segundo o filho de Justino é difícil mensurar quantas obras de arte Mestre Justino criou.
A obra de Justino está espalhada por todo o mundo. Quadros pintados pelo mestre estão em poder de colecionadores, de familiares e de instituições como o Museu de Taubaté, quadros esses que tem proporções gigantescas, dois dos expostos no museu, que mais chamam a atenção são os ‘Jongo’ e Moçambique.
Comercial e Místico
As obras mais famosas de Mestre Justino tinham o caráter da pincelada comercial do artista, não seguia o academicismo, mas eram obras alegres pelas cores, sempre mostrando a natureza, pessoas e culturas a final de contas suas principais inspirações eram os pintores Candido Portinari e Diego Rivera.
Ele tinha uma visão própria do mundo. Paulo Cezane, filho do mestre contou um episódio de Justino que serviria para entender esse conceito “ele gostava muito de Ubatuba, as vezes ele dizia ‘hoje vou pintar lá perto do porto (Ubatuba)’ colocava o cavaletezinho dele e começava a pintar, aí o pessoal vinha, olhava para o quadro, olhava para o lá, ele olhando para onde estava pintando e o pessoal não entendia, ‘ué ele está vendo um negócio, mas está pintado outro’”
“Ele via as coisas como se fosse uma mente fotográfica, mas ele nunca pintava aquilo. Ele pintava o que ele sentia, é uma parte impar do artista, transferia o coração. “, explicou Cezane
Justino gostava de pintar o cotidiano, pintar a história, odiava natureza morta. Porem certa vez Paulo, filho do pintor, disse que ao visitar uma imobiliária, viu uma obra de natureza morta, com características de Justino e assinada pelo artista. O filho, a princípio, duvidou da legitimidade da obra, mas ao conversar com o dono da pintura, descobriu que de fato era uma obra do pai, segundo o homem que tem um exemplar único de Justino a esposa havia ajoelhado pedindo ao mestre pintasse o estilo que tanto detestava, ela convenceu o artista.
Algumas obras de Mestre Justino são ‘místicas’ como classificou a fase artística do pintor que deixou um grande legado de arte. Em certa fase da vida, por duas vezes, Mestre Justino perdeu a visão. Os motivos vão desde diabetes a químicas usadas nas tintas antigamente. Nessa fase da vida, o artista pintou o que sentia, e mesmo sem ver as pinturas eram impressionantes.
“Uma época que ele fez uns abstratos, assim, bem sinistras, as pessoas olhavam e viam demônios, que foi o período que ele perdeu a visão. Ele não tinha a real visão que ele fazendo, mas ele tinha aquele sentimento muito forte de inquietude. Um artista visual perder a visão.”, explicou Margarida Fournier, especialista em Justino e restauradora de suas obras.
A obra Apocalipse, que foi criada em 1992, é um grande exemplo dessa fase, na tela que tem 80x60 é possível ver vários demônios, a final como disse Margarida no parágrafo anterior, deve ser um sentimento péssimo, “um artista visual perder a visão”