Sufoco no ar: queimadas transformam Taubaté em cenário de alerta
Especialistas alertam sobre agravamento das queimadas, aumento da poluição e impacto na qualidade de vida da população do Vale do Paraíba
Nos últimos dias, Taubaté tem experimentado uma realidade preocupante: o céu encoberto por fumaça, visibilidade reduzida e um ar pesado, fruto das queimadas que assolam não só o estado de São Paulo, mas também outras regiões como o Pantanal e a Amazônia. Este fenômeno, longe de ser isolado, evidencia o agravamento de um problema ambiental que afeta a saúde pública, o meio ambiente e, de maneira mais ampla, o cotidiano das pessoas.
Especialistas, como o professor Willian Ferreira, da UNITAU e pesquisador do INPE, alertam que a situação não é nova, mas que tem se intensificado nas últimas décadas. A combinação de mudanças no uso do solo, o descuido humano e as condições climáticas, como a seca prolongada, está elevando o número de focos de incêndio e contribuindo para o transporte de fumaça por grandes distâncias, atingindo cidades do Vale do Paraíba, como Taubaté.
Esse momento é atípico, em vários sentidos, mas principalmente porque estamos passando por um ano com uma seca muito acima da média, é o que explica o especialista em desastres naturais Vitor Zanetti, da empresa Imagem Geosistemas, “gente se afogou no Rio Grande do Sul e agora estamos morrendo de sede em uma boa parte do Brasil, especialmente na região norte do país, com níveis de seca na metade do que deveriam e isso na verdade causa esse problema que nós estamos tendo(...)a gente tem um cenário muito ruim aí muito propício para essa projeção de incêndios que a gente está vendo”.
A consequência imediata dessa fumaça é o impacto na qualidade do ar. De acordo com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), o ar foi classificado como “ruim” em vários dias, especialmente devido à alta concentração de partículas inaláveis finas (MP2,5), que podem penetrar profundamente no sistema respiratório, agravando condições como asma, bronquite e outras doenças crônicas. Na quinta-feira, 5 de setembro, os níveis de poluição atingiram seu pico, com índices de MP2,5 de 88 µg/m³, quase o dobro do considerado aceitável.
Vitor Zanetti explica que esse aumento de queimadas podem causar diversos problemas sociais “vão gerar por exemplo sobrecarregamento dos postos de saúde aumento das doenças respiratórias e muitas outras coisas, além obviamente do grande problema, que é a perda da biodiversidade, sempre que eu ponho fogo eu estou sujeito que esse fogo se alastre e queime muito mais do que deveria, então perdas da biodiversidade, diminuição da qualidade do ar”
Essa degradação na qualidade do ar tem provocado um aumento nas recomendações de cuidados para a população, sobretudo para aqueles que possuem problemas respiratórios. Máscaras, como as do tipo PFF2/N95, têm sido indicadas, além da necessidade de manter os ambientes internos umidificados, evitar atividades ao ar livre e buscar hidratação constante. As autoridades de saúde reforçam que, em casos de crises respiratórias, é essencial procurar atendimento médico imediatamente.
A Defesa Civil, por sua vez, também tem emitido alertas constantes sobre o risco elevado de incêndios, que devem persistir até o final desta semana. O órgão, que monitora o Mapa de Risco de Incêndio, já classificou o Vale do Paraíba em estado de alerta máximo, destacando a importância de ações preventivas, como evitar o uso de fogo em áreas de vegetação seca e não jogar bitucas de cigarro nas rodovias.
O sol alaranjado que vem sendo observado nos últimos dias pode até parecer uma cena bonita, mas é o reflexo de um problema grave: a poluição causada pelas queimadas, que afeta diretamente a saúde pública e o meio ambiente. O cenário reforça a urgência de medidas concretas para combater as queimadas e mitigar seus impactos, tanto a nível local quanto nacional.
Em um momento em que as consequências das ações humanas sobre o meio ambiente se tornam cada vez mais visíveis, é fundamental que a sociedade se conscientize e tome medidas para evitar a continuidade desse cenário. De pequenas atitudes individuais, como não queimar lixo, até a necessidade de políticas públicas mais robustas, o combate às queimadas e à poluição do ar deve ser uma prioridade urgente para todos.
Esse é o momento de agir, pois a fumaça que encobre o céu de Taubaté é um alerta claro de que estamos todos respirando os impactos das queimadas.