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Cultura

Série do T7 News reforça a importância da cultura e resistência negra no Dia da Consciência Negra

Portal estreia, nesta quarta-feira, 20, a série “Àṣẹ (Axé) - força que revela a história”, com entrevistas de personalidades negras da cidade

Da redação | Data: 20/11/2025 11:12

O Dia da Consciência Negra, celebrado nesta quarta-feira, 20, feriado nacional no Brasil, marca também a estreia da série documental “Àṣẹ (Axé) - força que revela a história”, produzida pelo portal T7 News. O projeto traz entrevistas com personalidades negras de Taubaté e aborda ancestralidade, arte, cultura, música, moda, sociedade e temas ligados à história e à luta antirracista.

A primeira entrevista da série é com o artista e professor Fernando Bispo, de 72 anos, morador de Taubaté. Com trajetória reconhecida na cidade, ele participa do episódio inaugural compartilhando vivências, memórias e reflexões sobre identidade, resistência e a presença negra na formação cultural do município.

A direção é assinada pelo jornalista e documentarista Marcelo Caltabiano, diretor de jornalismo do T7 News. A produção foi realizada em parceria com a educadora popular e ativista antirracista Tamires Maia, criadora da página “Historicamente falando”.

Tamires destaca que o projeto busca ampliar a visibilidade de vozes que fazem parte da construção da cidade.

“Esse trabalho é importante para dar protagonismo a quem merece o protagonismo mas é esquecido por um município que só lembra da nossa gente em datas comemorativas e nos negando o básico, participação popular e políticas garantidas pela constituição”.

Para o diretor Marcelo Caltabiano, o registro tem caráter documental.

“É um documento histórico com personagens que fizeram e que fazem parte da história não só de Taubaté, mas da história de um povo, de uma sociedade inteira”.

Contexto nacional

A data lembra a morte de Zumbi dos Palmares, líder quilombola que simboliza a resistência contra a escravidão. Para o presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge Santos Rodrigues, os avanços em igualdade racial no Brasil nas últimas seis décadas são resultado direto das lutas do movimento negro e de lideranças como Abdias Nascimento e Lélia Gonzalez.

Segundo Rodrigues, políticas como cotas raciais, a criação do Ministério da Igualdade Racial e a proteção a territórios quilombolas representam avanços, mas o país ainda enfrenta um racismo sistêmico que se manifesta de forma permanente e sofisticada.

A Fundação Palmares, fundada em 1988, é responsável pela preservação da Serra da Barriga, local do Quilombo dos Palmares. Rodrigues destaca que o feriado nacional permite pautar justiça e igualdade de oportunidades.

Desafios e percepções

Dados divulgados por pesquisa dos institutos Orire e Sumaúma revelam que 52,2% das pessoas pretas e pardas não sabem como denunciar casos de racismo ou injúria racial. Apesar de 59,3% relatarem já ter sido vítimas de discriminação durante deslocamentos pela cidade, 83,9% nunca registraram boletim de ocorrência.

A fundadora do Instituto Orire, Thais Bernardes, afirma que esse cenário revela um “abismo informacional” e aponta falhas no acesso a informações e respostas institucionais. O levantamento também mostra que apenas 20,3% acreditam que uma denúncia será encaminhada corretamente.

O estudo reforça a necessidade de ações estruturais, formação de equipes de atendimento e acesso facilitado à Justiça. O governo mantém o Disque 100 para denúncias de violações de direitos humanos.


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