Museu do Folclore inaugura exposição que celebra saberes ancestrais afro-brasileiros
Mostra reúne bordados e fios de contas inspirados na escrita Adinkra e nas religiosidades de matriz africana
O Museu do Folclore Angela Savastano, em São José dos
Campos, está desde o último dia 6, com a exposição temporária Fazeres
Ancestrais: Adinkras e Fios de Contas. A mostra apresenta 37 bordados
inspirados na escrita Adinkra e cerca de 70 fios de contas que fazem referência
às religiosidades afro-brasileiras. Todas as peças foram produzidas por participantes
da Roda de Fazeres, atividade semanal do museu dedicada à pesquisa e criação
artística desde 2024.
A exposição pode ser visitada de terça a sexta-feira, das 9h
às 12h e das 14h às 16h30, no corredor de acesso à Biblioteca Maria Amália
Corrêa Giffoni. Segundo a pesquisadora Maira Domingues, “as peças demonstram
como a iconografia afro-brasileira é composta pela união de símbolos de
diferentes origens étnicas africanas e representações, frutos da diversidade
brasileira”.
O sistema gráfico Adinkra tem origem no grupo linguístico
Akan, da região de Gana e Costa do Marfim, e é considerado uma das expressões
visuais mais refinadas da África Ocidental. No Brasil, o artista e ativista
Abdias Nascimento foi responsável por resgatar esse legado por meio de sua
atuação no Teatro Experimental do Negro e no Museu de Arte Negra.
A Roda de Fazeres, que deu origem às obras da mostra, é um
espaço de criação coletiva, troca de saberes e valorização da arte popular.
Mais de 100 pessoas já participaram da atividade ao longo de dois anos.
Atualmente, o grupo conta com 10 integrantes ativos e se reúne às
quintas-feiras, das 14h às 16h, sem necessidade de inscrição.
O museu é gerido pelo CECP (Centro de Estudos da Cultura Popular), organização da sociedade civil sem fins lucrativos, e funciona desde 1997 como espaço da Fundação Cultural Cassiano Ricardo.
O Museu do Folclore Angela Savastano está localizado na Avenida Olivo Gomes, 100, em Santana, no Parque da Cidade.