Larisa Steele lança livro sobre Ita Wegman e destaca coragem e amor da pioneira da antroposofia
Em “Ita Wegman – Amor, coragem e um destino”, autora revisita a trajetória da médica que sustentou o movimento da medicina antroposófica após Rudolf Steiner.
A médica e escritora Larisa Steele lançou recentemente o
livro “Ita Wegman – Amor, coragem e um destino”, obra que mergulha na
vida da ginecologista holandesa considerada uma das principais figuras da
antroposofia. O trabalho nasceu de uma pesquisa iniciada em 2015, quando Larisa
cursava aconselhamento biográfico, prática ligada à medicina antroposófica.
“Eu encontrei uma foto da Ita Wegman logo no início da minha
formação. O olhar dela me tocou profundamente, cheio de bondade. A partir daí
quis conhecer mais sobre aquela mulher e sobre a própria história da medicina
antroposófica”, contou Larisa.
Segundo a autora, Wegman foi muito além de colaboradora de
Rudolf Steiner. “Ela trouxe vida para a medicina antroposófica. Criou o
primeiro instituto terapêutico em Arlesheim, na Suíça, e incentivou várias
outras terapias a nascerem a partir daquilo que havia em cada ser que
encontrava. É um ato de amor, muito lindo essa força de trazer vida para a
Terra”, disse.
Larisa também destacou a capacidade de Wegman de enxergar o
valor nos outros e estimular que cada pessoa se fortalecesse. “O título Amor,
coragem e um destino fala muito sobre o ser da Ita Wegman, que era um ser
de amor. Ela conseguia enxergar no outro as potências ainda em estado germinal
e incentivava cada um a se colocar no mundo.”
A obra aborda ainda o papel de Wegman durante as guerras
mundiais. “Na Segunda Guerra, ela ajudou a tirar crianças especiais da Alemanha
e acolheu judeus e descendentes de judeus em centros ligados à antroposofia.
Esse movimento de não aumentar a força do mal, mas tentar fazer o bem para que
o mal se dissolva, é o caminho de vida dela”, relatou.
Larisa lembra que Wegman enfrentou dificuldades na formação
médica, mas transformou suas inseguranças em força criativa. “Ela juntou o
conhecimento da medicina com a fisioterapia e a educação física, criando
terapias como a massagem rítmica e práticas externas, como banhos e compressas,
que ainda hoje são usadas com ótimos resultados.”
O livro também traz reflexões sobre o impacto da
antroposofia na prática médica e social. “Ita Wegman dedicou a vida inteira à
antroposofia. O bonito é perceber como ela conseguiu sair do aspecto
intelectual e dar vida à antroposofia na prática, não só na medicina, mas
também no aspecto social”, afirmou Larisa.
“Quando eu resolvi colocar o livro no mundo, queria fazer
com que as pessoas conhecessem essa personalidade, essa individualidade do ser
da Ita Wegman, porque me tocou profundamente e me inspirou. Hoje o que temos de
medicina antroposófica é fruto da força dessa mulher, porque Steiner trouxe os
conceitos, mas faleceu logo em seguida, e foi ela quem sustentou todo o
movimento”, disse.
O lançamento já teve dois eventos, incluindo um em São José dos Campos, na Casa de Sophia, espaço fundado pela própria Larisa. “Foi muito especial porque tinham amigos de longa data, pacientes, e foi regado de muito carinho. O retorno que estou recebendo de quem já leu o livro tem sido emocionante, cada pessoa se conecta com pontos diferentes da biografia dela”, concluiu.