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Diário

Guarda-vidas foi algemado por PM após ser vitima de racismo; mulher foi presa

Boletim de ocorrência aponta que policiais da ativa algemaram o socorrista para conter tumulto; presa foi identificada como Angélica Cristina Da Silva Ramos, de 36 anos

Marcelo Caltabiano | Data: 08/01/2026 19:04

Uma confusão registrada nesta quinta-feira, 8 de janeiro, na Praia Grande, em Ubatuba, terminou com um guarda-vidas temporário algemado por policiais militares que atuaram na ocorrência, e com a prisão de uma mulher por racismo. O caso ocorreu durante a Operação Verão e foi registrado em boletim de ocorrência após intervenção da Polícia Militar.

A mulher presa foi identificada como Angélica Cristina Da Silva Ramos, de 36 anos. Segundo o boletim de ocorrência, a equipe policial foi acionada por ela, que relatou o desaparecimento momentâneo de uma criança. Após orientações dos policiais, a criança foi localizada. Na sequência, teve início um desentendimento entre Angélica, familiares e guarda-vidas, que evoluiu para agressões físicas mútuas.

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Os policiais informaram que não presenciaram o início da confusão, mas encontraram grande tumulto, com pessoas exaltadas e desobedecendo ordens. Diante do cenário, foi necessário conter e algemar um dos guarda-vidas até a chegada de apoio policial, quando a situação foi controlada.

Veja mais informações sobre o caso: Mulher é presa por racismo contra guarda-vidas em Ubatuba

De acordo com o relato dos guarda-vidas, no momento em que Angélica solicitou ajuda, a equipe estava empenhada em um atendimento de salvamento no mar, o que teria impedido o atendimento imediato. Eles afirmaram que passaram a ser alvo de ofensas verbais, inclusive de cunho racial, o que culminou em agressões físicas. Ainda segundo os socorristas, um deles teria sido agredido mesmo após estar algemado.

Já Angélica e seus familiares declararam que o conflito começou após uma suposta recusa de atendimento por parte dos guarda-vidas, que, segundo eles, teriam feito ofensas verbais, resultando em discussão e agressão física. Eles negaram a prática de injúria racial.

Testemunhas relataram ter presenciado agressões contra guarda-vidas já imobilizados e, em alguns casos, ouviram ofensas raciais direcionadas a um dos profissionais, incluindo a expressão “macaco”. Outras testemunhas afirmaram ter visto apenas as agressões físicas, sem presenciar o início da confusão ou ouvir ofensas de cunho racial.

Com a análise de novos vídeos que circularam nas redes sociais, a Polícia Civil entendeu que houve ofensa de cunho racial, o que levou à prisão de Angélica Cristina Da Silva Ramos pelo crime de racismo. Desde 2023, a injúria racial é equiparada ao crime de racismo, sendo imprescritível e inafiançável.

A reportagem apurou que o marido da mulher presa é cabo da Polícia Militar, lotado na cidade de Catanduva, e estava à paisana no momento da ocorrência. A algemação do guarda-vidas foi realizada por policiais militares da ativa que atenderam a ocorrência na praia.

Todos os envolvidos apresentaram apenas lesões leves e foram conduzidos à Delegacia de Polícia de Ubatuba, onde o caso segue em apuração, com análise das imagens e oitiva dos envolvidos. O Corpo de Bombeiros informou que acompanha o andamento das investigações e colabora com as autoridades.

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