Especial T7News - A sexta-feira 13 ainda te assusta?
A sexta-feira 13 é uma data que ainda desperta cautela e superstição em muitas pessoas, alimentada por filmes e contos populares que atravessam gerações. No Vale do Paraíba, essa atmosfera é intensificada por uma rica herança cultural que funde influências indígenas, portuguesas católicas e africanas.
Essa mistura de saberes deu origem a diversas lendas urbanas que tentam explicar fenômenos naturais ou comportamentos humanos, fazendo com que alguns moradores ainda prefiram "ficar quietos" ou evitar passar debaixo de escadas durante este dia temido.
Entre as histórias mais famosas da região está a lenda da "Loira do Banheiro", que teve origem em Guaratinguetá. A história real envolve uma jovem da elite local que morreu de forma misteriosa no final do século XIX; seu corpo foi mantido em uma urna de vidro na mansão da família, o que gerou relatos de fenômenos estranhos nos banheiros. Outro conto marcante é o da "Procissão das Almas", em Jacareí, inspirado em um cortejo de mortos que saíam do cemitério em protesto. Segundo a lenda, quem espiasse a procissão recebia uma vela que, ao se apagar, transformava-se em um osso humano.
Em Paraibuna, destaca-se a figura do "Corpo Seco", um homem tão cruel em vida que, após a morte, teria sido rejeitado tanto pelo céu quanto pelo inferno, passando a vagar pela região após sair do próprio túmulo. Apesar da força dessas narrativas, historiadores observam que as crenças e superstições têm perdido espaço entre as novas gerações, que contam com maior acesso à informação e tecnologia. Para os especialistas, essa perda é preocupante, pois esses contos são raízes fundamentais da identidade cultural do povo valeparaibano.
Pelo olhar da psicologia, a persistência dessas superstições está ligada à forma como interpretamos os acontecimentos, e não ao dia em si. Segundo a terapia cognitivo-comportamental, nossas emoções são influenciadas pelo significado que damos aos fatos; portanto, a sexta-feira 13 só exerce influência sobre quem acredita e interpreta a data como algo negativo.
Manter essas histórias vivas, seja através de projetos escolares ou literatura, é essencial para preservar a arte e o folclore regional, independentemente de se acreditar ou não no sobrenatural.