Sérgio Victor e os primeiros dois meses: Ajuste fiscal ou retrocesso social?
Nos primeiros dois meses de governo, Sérgio Victor adotou medidas austeras para equilibrar as contas públicas, mas enfrentou forte resistência devido à falta de diálogo com os servidores e à precarização de serviços essenciais. Entre cortes, polêmicas e promessas de reestruturação, a gestão ainda precisa provar se conseguirá transformar desafios em soluções concretas para Taubaté.
Os primeiros dois meses do governo Sérgio Victor (Novo) foram marcados por desafios estruturais e financeiros, com medidas austeras na tentativa de equilibrar as contas públicas. No entanto, problemas como a regulamentação dos adicionais de insalubridade e a deterioração da infraestrutura viária têm gerado críticas da população e dos servidores municipais.
Um dos pontos de maior polêmica até o momento foi o decreto publicado pelo Palácio do Bom Conselho, regulamentando os adicionais de insalubridade, periculosidade e risco de vida para os servidores municipais. A justificativa é fazer a correção de pagamentos irregulares que, segundo o Tribunal de Contas do Estado, geraram um impacto de R$ 27 milhões nos cofres públicos em 2024. No entanto, a decisão foi tomada sem amplo diálogo com os servidores, o que acarretou em uma insatisfação dos mesmos e forte mobilização contrária à medida, tendo inclusive no dia 27/02 uma manifestação dos próprios servidores.
Diante das críticas, a administração recuou e adiou a aplicação do decreto por 90 dias, prometendo abrir discussões com os afetados. Esse episódio expõe um problema recorrente em gestões que priorizam cortes de gastos sem planejamento participativo: a insatisfação gerada pode comprometer a qualidade dos serviços públicos. A falta de transparência e de comunicação eficaz pode intensificar a insegurança dos servidores do município, impactando diretamente a prestação de serviços essenciais à população.
Para evitar novos desgastes, a prefeitura deve estabelecer um canal de diálogo contínuo não somente com os servidores, mas com a população como um todo e garantir que mudanças que afetem suas remunerações sejam feitas com a negociação e participação de ambas as partes. Além disso, é essencial que a revisão dos adicionais não seja apenas uma medida de corte orçamentário, mas sim um processo que leve em conta a valorização dos profissionais que trabalham em condições adversas.
Apesar das críticas, é preciso reconhecer alguns avanços na gestão. A decisão de cortar gastos comissionados e criar um comitê para análise de contratos pode ajudar na economia de recursos. A fusão temporária de secretarias também mostra um esforço para otimizar a máquina pública. No entanto, é fundamental que essas medidas não resultem em sobrecarga para os servidores e em queda na qualidade dos serviços prestados.
Outro ponto positivo foi o reconhecimento, por parte do próprio prefeito, de que Taubaté precisa recuperar seu protagonismo regional. Isso demonstra pode demonstrar uma visão de futuro, mas vale lembrar que muitos políticos apenas falam promessas vazias, no entanto, fechamos os primeiros 60 dias de governo, sendo assim muito precário avaliar como anda o funcionamento do governo como um todo, mas nunca devemos deixar de cobrar para que medidas que solucionem problemas de maneira eficiente e justa sejam feitas.
A administração de Sérgio Victor ainda está no início, mas os primeiros dois meses já demonstram que os desafios são grandes. O enfrentamento da crise financeira exige medidas duras, mas que precisam ser acompanhadas de diálogo e planejamento de longo prazo, e não simplesmente passadas as custas de quem já enfrenta uma vida difícil.
O governo municipal precisa achar um equilíbrio entre a transparência com a comunicação assertiva e a eficiência de medidas que visam beneficiar o cidadão taubateano. A população de Taubaté espera não apenas cortes e contenções, mas também soluções que tragam resultados concretos e duradouros. O tempo dirá se a gestão Sérgio Victor conseguirá transformar dificuldades em oportunidades de crescimento para a cidade.
Esta é uma coluna Brazil Inside.