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Os novos ventos na comunicação política no Brasil

O campo progressista organiza sua milícia digital com aquilo que eles chamam de “contraponto”

Marcos Limão | Data: 28/07/2025 14:05

O mês de julho de 2025 representou um ponto de inflexão na comunicação política no Brasil, no sentido de trazer mudança significativa no uso de informações e ideias com o objetivo de influenciar a opinião pública e o “comportamento político” das pessoas.

Foi a primeira vez que o Partido dos Trabalhabhadores conseguiu furar a bolha e se comunicar com públicos diversos, inclusive bolsonaristas de baixa renda, por intermédio de produção audiovisual inteiramente criada com recursos de inteligência artificial.

Trata-se do “Boteco do Brasa”, um vídeo 100% IA que traduziu para o público leigo o tema da “justiça tributária”, um assunto importante, porém, de difícil abordagem e pouca sedução nos discursos proferidos em palanques e propagandas eleitorais. 

A peça publicitária mostrou pessoas ricas e pobres na mesma mesa no boteco. E foi no momento de dividir a conta do bar que a problemática da (in) justiça tributária ficou evidente, mostrando como os ricos pagam menos impostos que os pobres no Brasil.

A média de visualizações de reels do PT é de 50 mil e o vídeo do Boteco do Brasa ultrapassou a marca dos mais de 20 milhões de views. Isso deixou o campo conservador desnorteado, porque o conteúdo foi produzido e disseminado no contexto de disputa pela taxação dos super-ricos, também conhecidos pela sigla BBB (Bilionários, Bancos e Bets), no momento em que o campo conservador se posicionou de maneira contrária ao aumento de impostos para os ricos e impôs derrotas ao Governo do PT no Congresso Nacional.

Outro conteúdo 100% IA que causou frisson político foi o vídeo em que o presidente da Câmara dos Deputados Hugo Motta, chamado de “Hugo Nem Se Importa”, aparece em um jantar com empresários, sendo apresentado como alguém que “só se importa com os ricos”, com referência ao papel desempenhado pelo parlamentar na derrota do Palácio do Planalto na votação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). 

Se a esquerda aprendeu a produzir conteúdo, a direita ainda domina a estrutura de disseminação. A boa fase do governo durou apenas três semanas, momento em que as publicações do campo governista dominaram os mais de 100 mil grupos de WhastApp que são monitorados pela empresa Palver.

A tendência de alta foi revertida a partir da segunda quinzena de julho com o anúncio do Governo dos EUA de suspender os vistos dos ministros do STF, porque a narrativa da “ditadura de toga” gera mobilização e engajamento.

Por outro lado, o campo progressista organiza sua milícia digital com aquilo que eles chamam de “contraponto”. São centenas de grupos de comunicadores e ativistas digitais que estão espalhados pelo Brasil com a finalidade de unificar discurso e produzir conteúdo com o propósito de dominar a narrativa.

Para agosto de 2025, com a volta do recesso, o campo conservador pretende instaurar CPI para investigar a possível participação do governo nos vídeos com IA que atacam membros do Congresso Nacional, em especial os parlamentares do “centrão” político. 

Enquanto isso, PT e PL gastam centenas de milhares de reais com a empresa Meta para impulsionar conteúdo na internet.

Marcos Limão

Advogado e Jornalista

Marcos Vinicius Limão de Melo Freitas é jornalista e advogado, com especializações em Marketing Político (Universidade de Taubaté) e Direito Eleitoral (IDDE). Tem experiência com jornalismo investigativo, advocacia, campanha eleitoral e assessoria parlamentar. É autor de dois livros, dentre eles o “ENXAME: guerra psicológica no processo eleitoral e os novos paradigmas para campanhas políticas”


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