Os Cães Ladram, Mas a Caravana da Impunidade Não Para: A PEC da Blindagem e o Desprezo à Transparência
A história nos ensinou que o poder, quando não fiscalizado, tende a se corromper. É com essa premissa que assistimos, estarrecidos, à tramitação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Blindagem no Congresso Nacional. Sob o pretexto de resguardar o Legislativo de “perseguições indevidas”, a proposta, se aprovada, erguerá um muro de impunidade, blindando parlamentares e esvaziando a essência da democracia: a responsabilidade.
Enquanto a população se distrai com debates que inflamam os polos do espectro político, os congressistas articulam, em uma manobra acelerada, um projeto que é um escárnio contra o país. Nesse momento, os interesses opostos milagrosamente se unem, com praticamente todos os partidos, da esquerda à extrema direita, votando em conjunto. As exceções honrosas foram das bancadas do PSOL e do NOVO, que rejeitaram em bloco este ataque frontal ao sistema democrático de direito.
Essa PEC não é apenas um projeto de lei. É um atestado de falência moral e um golpe contra os princípios mais básicos da nossa Constituição, criando na prática uma casta impune no seio do sistema político brasileiro. Ao limitar a atuação do Poder Judiciário, ao cercear a liberdade de investigação e ao garantir um salvo-conduto a quem deveria ser o primeiro a dar o exemplo, a PEC da Blindagem rasga o pacto de confiança entre o povo e seus representantes.
Neste momento, o papel da imprensa é denunciar, e o da população é, por um instante, deixar de lado suas paixões partidárias e cobrar uma postura republicana do Senado. O Senado é a única instância que, neste momento, pode barrar este retrocesso. A luta pela responsabilização de todos, sem exceção, é o único caminho para frear a caravana da impunidade.