Homenagem aos 140 anos de Georgina de Albuquerque (1885-2025)
GEORGINA, DE TAUBATÉ PARA O MUNDO – E ESQUECIDA EM SUA TERRA
Estive presente na última terça-feira na exposição em homenagem à artista Georgina de Albuquerque, que celebrou o legado dessa pioneira taubateana do impressionismo.Um evento grandioso, marcado pelo talento e pela sensibilidade de artistas locais, mas que, ao mesmo tempo, deixou um gosto amargo ao evidenciar o quanto a cidade de Taubaté insiste em abandonar seus grandes nomes à própria sorte.
Georgina de Albuquerque foi uma das primeiras mulheres brasileiras a firmar-se internacionalmente como artista e pioneira na pintura histórica nacional. Em 1922, sua obra Sessão do Conselho de Estado rompeu paradigmas ao representar uma mulher como protagonista de um momento histórico brasileiro, algo impensável até então. Além disso, sua vasta produção inclui naturezas-mortas, nus artísticos, retratos, cenas cotidianas e paisagens que enriqueceram a arte nacional. Foi ainda a primeira mulher a dirigir a Escola Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro, onde estudou e lecionou, consolidando sua influência na cultura brasileira.

Na abertura da homenagem, foi exibido um documentário emocionante sobre Georgina, com a participação de diversos artistas plásticos taubateanos que enalteceram sua importância e sua obra. A coordenação e direção ficaram a cargo da incansável Margarida Fournier, uma verdadeira guardiã da nossa memória artística, que batalha incessantemente para que a história e a cultura de Taubaté não sejam completamente engolidas pelo descaso das autoridades.
Após a exibição do filme, a Galeria Mestre Justino foi aberta ao público para apresentar releituras das obras de Georgina feitas por artistas taubateanos: Alexandre de Morais Almeida, Anita Seixas, Cíntia Marquez, Cristina Alves, Dorival Filho, Fernanda Rigonato, Henrique Vieira, Jaqueline Silva, Kleber Marcelino, Leandro Diego, Lellis Camilo, Marilda Wandaleti, Michelly Bessa, Roberto Correia, Rodrigo Alcântara e Washington Oliveira. Cada um, com sua sensibilidade e talento, trouxe nova luz à grandiosidade de Georgina.

A parte técnica do evento contou com Dennys Dias na IA e Élidi Godoy na parte gráfica, e a curadoria e organização foram brilhantemente conduzidas pelo Projeto Semeando Cores, sob a coordenação de Margarida Fournier. Palmas para esses guerreiros da arte!
Porém, não há como celebrar sem mencionar a profunda tristeza de ver que Georgina de Albuquerque – uma mulher que quebrou barreiras e elevou o nome de Taubaté ao reconhecimento internacional – continua esquecida em sua própria terra. Mais uma vez, o poder público mostrou seu desprezo pela cultura, com a Secretaria de Cultura e Economia Criativa de Taubaté sequer enviando um representante para prestigiar o evento. Nenhuma homenagem oficial, nenhum reconhecimento institucional. Apenas silêncio e omissão.

Infelizmente, esse abandono não é novidade. Taubaté tem uma longa tradição de virar as costas para seus artistas. Enquanto nomes como Georgina brilham lá fora, aqui, só sobrevivem graças à resistência de pessoas como Margarida Fournier e dos artistas locais, que lutam contra o esquecimento imposto pelo próprio município.
A exposição "Georgina, de Taubaté para o Mundo" está aberta ao público no Centro Cultural Toninho Mendes até o dia 14 de fevereiro. Que essa iniciativa inspire mais ações e que, um dia, o poder público acorde para a importância de preservar e valorizar a história cultural de sua própria cidade.
Local: Praça Coronel Vitoriano, 01 - Centro - Taubaté
Entrada franca