Justiça solta mulher presa por injúria racial em confusão com guarda-vidas na Praia Grande, em Ubatuba
Angélica Cristina da Silva Ramos, de 36 anos, foi solta após audiência de custódia e deverá cumprir medidas cautelares
A Justiça concedeu liberdade provisória, nesta sexta-feira, 9 de janeiro, à mulher de 36 anos presa em flagrante suspeita de praticar injúria racial contra um guarda-vidas temporário durante uma confusão na Praia Grande, em Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo.
Angélica Cristina da Silva Ramos havia sido presa na quinta-feira, 8 de janeiro, após o registro da ocorrência durante a Operação Verão. Ela passou por audiência de custódia e foi liberada sem a exigência de pagamento de fiança. Como medida cautelar, deverá comparecer mensalmente em juízo para informar e justificar suas atividades, conforme informou o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
"Ante o exposto, com fundamento no artigo 310, III, do CPP, concedo a acusada ANGÉLICA CRISTINA DA SILVARAMOS a LIBERDADE PROVISÓRIA sem fiança mediante o cumprimento das medidas cautelares de comparecimento mensal em juízo"
Segundo o boletim de ocorrência, a confusão teve início após um chamado relacionado ao desaparecimento momentâneo de uma criança na praia. Angélica afirmou à Polícia Militar que solicitou ajuda aos guarda-vidas e não teria sido atendida, alegando ainda que foi ofendida e agredida pelos profissionais.
Já os guarda-vidas relataram que, no momento do pedido de ajuda, estavam empenhados em um salvamento no mar, o que impediu o atendimento imediato. De acordo com eles, após a situação, passaram a ser alvo de ofensas verbais, inclusive de cunho racial, o que teria evoluído para agressões físicas. Um dos profissionais relatou ter sido chamado de “macaco”.
O boletim aponta que a equipe policial não presenciou o início da confusão, mas encontrou grande tumulto no local, com pessoas exaltadas e desobedecendo ordens. Diante do cenário, foi necessário conter e algemar um dos guarda-vidas até a chegada de reforço policial.
Testemunhas relataram versões diferentes. Algumas afirmaram ter presenciado agressões contra guarda-vidas já imobilizados e ouviram ofensas raciais. Outras disseram ter visto apenas agressões físicas, sem presenciar o início da confusão ou ouvir xingamentos de cunho racial.
Angélica negou à polícia ter praticado injúria racial e afirmou que apenas reagiu a supostas ofensas dos guarda-vidas. Todos os envolvidos tiveram apenas ferimentos leves.
O caso foi registrado como lesão corporal, vias de fato, desacato e injúria racial. A Polícia Civil segue investigando a ocorrência, com análise de imagens e oitiva dos envolvidos. O Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar) informou que não foi possível identificar quem deu início às agressões e que acompanha o andamento das investigações.