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Diário

Casal de São José dos Campos é preso nos EUA em investigação sobre fraude milionária contra imigrantes brasileiros

Grupo é acusado de movimentar mais de US$ 20 milhões com falsas promessas de regularização migratória e extorsão na Flórida

Francisco Trevisan e Marcelo Caltabiano | Data: 24/04/2026 09:44

Quatro brasileiros foram presos nos Estados Unidos acusados de integrar um esquema milionário de fraude contra imigrantes, com atuação principal no estado da Flórida. Entre os investigados estão Vagner Soares de Almeida e Juliana Colucci, casal com ligação com São José dos Campos e apontado pelas autoridades americanas como liderança da organização. A ação policial aconteceu em abril.

Também foram presos Ronaldo Decampos e Lucas Felipe Trindade Silva. Segundo a polícia do Condado de Orange, o grupo atuava por meio da empresa Legacy Imigra, também conhecida como Legacy Group, que se apresentava como especializada em serviços de imigração e regularização migratória.

De acordo com as investigações, a organização teria movimentado mais de US$ 20 milhões por meio de um esquema baseado em falsas promessas de asilo, autorização de trabalho e outros processos migratórios sem respaldo legal.

Durante coletiva, o xerife John Mina resumiu a gravidade das acusações.

“Eles basicamente ficaram ricos através de um modelo de negócios baseado em manipulação, fraude, mentiras e extorsão”, afirmou.

Segundo as autoridades, a empresa atraía principalmente brasileiros em situação migratória delicada, oferecendo supostos caminhos rápidos para legalização nos Estados Unidos. No entanto, a polícia afirma que muitos processos eram fraudulentos e, em alguns casos, formulários de asilo eram protocolados sem o total conhecimento das vítimas.

A investigação aponta ainda que clientes que tentavam cancelar os serviços ou questionavam cobranças eram pressionados e ameaçados, inclusive com a possibilidade de denúncia às autoridades migratórias americanas.

Além disso, vítimas relataram que a empresa retinha documentos importantes e exigia novos pagamentos para devolvê-los.

O grupo responde por acusações de associação criminosa, fraude organizada, extorsão, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos e exercício ilegal da advocacia.

As investigações começaram em setembro de 2025 após um advogado ligado à Ordem dos Advogados da Flórida denunciar diversas reclamações envolvendo a Legacy Imigra.

“As reclamações alegam que a Legacy Imigra estava conduzindo um esquema coordenado para fraudar imigrantes indocumentados, afirmando falsamente que eram advogados de imigração qualificados”, declarou o xerife.

Até o momento, sete vítimas formalizaram denúncias, com prejuízos que variam entre US$ 2,5 mil e US$ 26 mil. A suspeita, segundo a polícia, é de que o número real de afetados seja muito maior.

“Acreditamos que possa haver centenas mais”, afirmou Mina.

Jovem de Ubatuba aparece entre detidos

Vídeos divulgados pela polícia americana também mostram uma jovem de Ubatuba entre os brasileiros detidos durante a operação realizada na última segunda-feira (20).

Segundo pessoas próximas, ela trabalhava no atendimento da empresa e teria sido detida por questões migratórias relacionadas à ausência de visto de trabalho, sem acusação formal de participação no esquema fraudulento.

Ao todo, 14 brasileiros foram detidos na ação: quatro apontados como responsáveis pela estrutura da organização e outros dez funcionários que atuavam no atendimento às vítimas.

A defesa de alguns detidos sustenta que esses funcionários exerciam funções operacionais e não tinham conhecimento sobre a ilegalidade das atividades.

O caso ganhou repercussão na imprensa americana, especialmente em veículos voltados à comunidade brasileira, e novos relatos de vítimas seguem surgindo.

A investigação continua sob atuação conjunta do Gabinete do Xerife de Orange County, da agência de Investigações de Segurança Interna (HSI) e da Procuradoria-Geral da Flórida.

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