"A fome não espera", diz beneficiária após exclusão de 1.000 famílias no Mesa Taubaté
Vereador Douglas Carbonne cobra explicações da prefeitura sobre a redução de beneficiários do programa assistencial; prefeitura ainda não informou quantos cartões seguem ativos na cidade
O cancelamento de cartões do programa "Mesa Taubaté" gerou preocupação entre beneficiários e questionamentos na Câmara Municipal. O vereador Douglas Carbonne (Solidariedade) cobrou explicações da prefeitura e solicitou informações sobre o número de famílias atendidas atualmente. A administração ainda não informou quantos cartões seguem ativos na cidade.
Na tribuna, Carbonne criticou a falta de transparência da prefeitura e afirmou que muitas famílias foram cortadas sem qualquer aviso prévio.
"Chegou a este vereador que a prefeitura cortou 1.000 cartões da Mesa Cidadã. São 1.000 munícipes que foram excluídos do cartão de alimentação da cidade de Taubaté, sem qualquer explicação, sem qualquer informação", disse o parlamentar.
A reportagem conversou com Pedrina Gomes França, moradora da região do Três Marias, que teve o benefício interrompido. Desempregada e mãe de uma menina de três anos, ela relata a dificuldade de se manter sem o auxílio.
"O que aconteceu foi o seguinte: de seis em seis meses, é preciso ir lá para fazer o cadastro, né? Para poder reavaliar a questão da cesta básica. Mas, desta vez, eu fui e não deu em nada. Disseram que eu entraria em uma fila de espera, sendo que a gente precisa, porque contamos com isso para comprar as coisas para casa", explicou.
Pedrina destacou que a exclusão do benefício afeta diretamente sua sobrevivência e a de sua filha. "A fome não espera. Estou desempregada, faço tratamento para síndrome do pânico e tenho uma menina de três anos. Como vai ser agora?", questionou.
Outro morador ouvido pela reportagem relatou que foi informado de que só poderá voltar ao programa em seis meses.
Nota da prefeitura
Em nota, a Prefeitura de Taubaté afirmou que o Programa Municipal de Transferência de Renda Básica, regido pela Lei nº 5.651/2021 e alterado pela Lei nº 5.807/2023, prioriza famílias em situação de maior vulnerabilidade e tem caráter temporário.
A administração municipal declarou que a intenção "nunca será pela exclusão das famílias", mas sim pela priorização de quem tem renda per capita inferior a meio salário mínimo. Segundo a prefeitura, muitas das famílias cortadas já recebem outros benefícios, como Bolsa Família e BPC (Benefício de Prestação Continuada).
Veja a nota completa da prefeitura
"A Prefeitura de Taubaté esclarece que, conforme estabelecido na Lei nº 5.651/2021 alterada pela Lei 5.807/2023, o Programa Municipal de Transferência de Renda Básica prioriza o atendimento de famílias com menor renda per capta, sendo de caráter temporário.
A administração municipal reforça que a intenção nunca será pela exclusão das famílias com renda per capita familiar maior que meio salário-mínimo, mas sim priorizar o atendimento daquelas que encontram-se em situações de maior vulnerabilidade.
Vale salientar que as famílias não inseridas no Programa, neste novo ciclo, já recebem algum tipo de benefício, como BPC (Benefício de Prestação Continuada) e Bolsa Família, bem como permaneceram de três a seis ciclos de recebimento, ou seja, de um ano e meio a três anos sendo atendidos".
O vereador Douglas Carbonne segue aguardando respostas oficiais sobre o número atual de beneficiários e os critérios utilizados para os cortes.